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© Helisandra dos Reis Santos | 06/02/2026 | Tese de doutoramento de Helisandra

Educação ambiental e ecoturismo em perspectiva internacional: saberes locais e globais para a sustentabilidade

O CDR formando parte dunha tese de doutoramento vinculada ao Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal da Bahia

06/02/2026

Em 20 de janeiro de 2026, realizou-se uma visita técnica ao Centro de Desenvolvimento Rural (CDR) – O Viso, em sua sede localizada em Xinzo de Limia, bem como à Paróquia de Lodoselo, no município de Sarreaus, Província de Ourense, Comunidade Autônoma da Galícia. Na ocasião, fomos recebidos por Antônio Rodríguez Corbal, representante da instituição.
A visita teve como objetivo conhecer as estratégias e metodologias adotadas pelo CDR – O Viso, especialmente no que se refere aos seus aspectos organizacionais, aos projetos voltados à educação ambiental, ao resgate e à conservação dos saberes tradicionais, bem como às ações de enfrentamento ao despovoamento do espaço rural. Durante a visita, foi possível conhecer os multiprojetos desenvolvidos pela instituição, caracterizados por sua interdependência e por uma abordagem holística, que considera as diversas necessidades da sociedade, o cuidado com o outro, a preservação da cultura local e a defesa da permanência do modo de vida rural e seus impactos sociais no território.
Foi possível conhecer o cotidiano do Projeto Centro de Dia Lodoselo – Centro de Dia para Persoas Maiores, que possibilita uma assistência baseada na afetividade, empatia e no atendimento às necessidades das pessoas, favorecendo sua permanência no território e a transmissão de saberes às novas gerações. Trata-se de um ambiente que respeita todas as exigências sanitárias necessárias ao seu funcionamento e à captação de financiamentos.
Durante a visita, tivemos contato com pessoas que foram atendidas pelas primeiras ações lideradas por Antônio, ainda antes da institucionalização do CDR – O Viso. Essas pessoas compartilharam suas memórias, relatando que Antônio era conhecido como “Tonho Amigo”, e destacaram que tornaram-se voluntárias e militantes, ao compreenderem a importância desse trabalho para a vida comunitária, realizado de forma contínua, sem delimitação de tempo ou horário. Sendo possível perceber através da comunicação entre eles a responsabilidade e o (des)envolvimento nas atividades que estavam sendo desenvolvidas.
Nessa caminhada, realizada em um dia de baixas temperaturas, percorremos espaços carregados de significados simbólicos e históricos para a comunidade, como os depósitos de lenha destinados à produção do pão e da selagem para alimentação dos animais, que são armazenados de maneira semelhante à utilizada por seus antepassados. Destacam-se ainda o banco de sementes, responsável por guardar sementes orgânicas que mantêm a origem e a essência dos alimentos tradicionais, bem como a sala de tecelagem, onde se conservam os instrumentos de produção. Nesse contexto, a Profa. Araceli Serantes Pazos trouxe uma reflexão sobre o rural não ser apenas um espaço físico, mas um estilo de vida.
As atividades desenvolvidas e as pessoas que passaram pela comunidade encontram-se registradas em fotografias que eternizam as memórias coletivas e evidenciam uma linha do tempo que fortalece o propósito do projeto, o qual se consolidou como uma missão de vida.  A visita à Casa da Memória representa uma oportunidade de valorização das trajetórias individuais e coletivas, contribuindo para manter viva a história e a identidade cultural da comunidade, como as atividades de extração mineral que foram desenvolvidas historicamente no território.
Foi possível perceber que a parceria com a comunidade se configura como uma relação bilateral, quando observamos o pastoreio das ovelhas através de manejo nas diversas áreas para manter o controle da vegetação nas residências. A relação direta com o ambiente foi algo notório, desde o contato direto com a terra, por meio das hortas, que possibilitam às pessoas idosas plantar e colher alimentos, como ao nos despedirmos de Antônio, observamos que as ovelhas já davam sinais de que o aguardavam para serem recolhidas.
A visita faz parte do projeto de tese de doutoramento de Helisandra dos Reis Santos, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Difusão do Conhecimento (PPGDC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), sob a orientação da Profa. Dra. Maria Inês Corrêa Marques (UFBA) e coorientação da Profa. Dra. Araceli Serantes Pazos, da Universidade da Coruña (UDC). O estudo conta com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e está vinculado ao plano de pesquisa intitulado Educação ambiental e ecoturismo em perspectiva internacional: saberes locais e globais para a sustentabilidade, cujo objetivo é cartografar os saberes e fazeres de comunidades tradicionais em diálogo com abordagens internacionais de ecoturismo e educação ambiental, visando ao fortalecimento de estratégias de desenvolvimento sustentável.
No Brasil, o contexto territorial da pesquisa situa-se na comunidade de Brejo da Brásida, no município de Sento Sé, estado da Bahia. Trata-se de uma região de clima semiárido, inserida no ecossistema da Caatinga — bioma exclusivamente brasileiro —, com expressivo potencial mineral e arqueológico. O município integra a Reserva da Biosfera da Caatinga, por abrigar a maior faixa contínua conservada desse bioma. Trata-se de uma comunidade tradicional, que busca, por meio da organização social, dialogar com empreendimentos instalados em seu entorno, os quais têm gerado impactos socioambientais na região. Suas ações visam à conservação dos recursos naturais que garantem as atividades de subsistência, como a recuperação de nascentes, a criação de caprinos e a produção artesanal de cestos, doces e cosméticos, elaborados a partir das essências da Caatinga. Contudo, a comunidade vem sendo impactada pela instalação de parques eólicos em seu entorno.
Dessa forma, compreende-se que a conservação dos saberes tradicionais constitui uma importante estratégia de promoção da educação ambiental voltada à sustentabilidade, podendo configurar-se como resposta à emergência climática, na perspectiva de sensibilização para a mudança no padrão do modo de vida estabelecido pela sociedade capitalista. Esses saberes expressam modos de vida historicamente construídos em equilíbrio com os recursos naturais, respeitando seus limites e sua capacidade de regeneração.
 

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